Israel continua matando gente a beça em Gaza. Não, não dá pra chamar os judeus de nazistas porque ainda falta muito pra chegar perto. E nem os motivos. Israel, em última análise, está exercendo o direito de defender-se. Se estão errados ou não é outra história. É difícil simpatizar com a atitude de Israel, mas ainda mais difícil é não perceber que a antipatia pelos judeus – politicamente incorretissima nesses tempos – é o que move essa enxurrada de críticas.
Entenda-se, depois da Grande Guerra, ficou quase impossível criticar Israel sem ser tachado de nazista. O que, para qualquer pessoa de bom gosto, é uma ofensa e tanto. Sentimento de culpa. Explicável. Mas o que passa com essa gente que nunca se importou com um massacre aqui ou outro ali? Talvez a resposta seja que os árabes finalmente aprenderam que o sucesso de Israel depende muito da propaganda. E estão usando isso, embora ainda não com a maestria do povo eleito.
Israel é uma unanimidade no Oriente Médio. É odiado por todos. O mais interessante é a perda de pudor nas críticas que sofre. Ainda não chegou à Europa, escancaradamente, mas a reação de paisecos como a Bolívia (?!) pode dar uma idéia do que vêm por aí.
Claro, talvez eu esteja exagerando. Quem é que leva a Bolívia a sério, afinal?
Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse — “ai meu Deus, que história mais engraçada!”. E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história; e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol, irresistivelmente louro, quente, vivo, em sua vida de moça reclusa, enlutada, doente. Que ela mesma ficasse admirada ouvindo o próprio riso, e depois repetisse para si própria — “mas essa história é mesmo muito engraçada!”.
Estava passeando pela página do Sérgio Rodrigues quando esbarro com ele, que foi um dos maiores escritores desse país. Um estilo coloquial e poético, a brisa do Rio de Janeiro em cada crônica. Alguém a que jamais conheci. Pessoalmente, ao menos, porque durante toda a minha adolescência tivemos um relacionamento intenso e de grande camaradagem. O Sabiá da Crônica, nas palavras do Millôr. Um amigo querido, para mim.
Não estou conseguindo publicar vídeos ou imagens por aqui. Provavelmente o problema é meu, que aprendi a escrever na idade da pedra e considero o computador algo tão misterioso quanto a verdadeira natureza do Ser. Ou algo assim… Em poucos dias espero resolver isso. Não desisto fácil, mas sou brasileiro – nunca deixo pra amanhã o que posso deixar pra depois de amanhã.
Mas o que passa pela cabeça da gente? O prazer estético que senti vendo essas fotografias me pareceu um pouco demais. Sentimento de culpa cristão , direis – e é verdade cambada, digo eu.
Nada como um distúrbio para produzir belas imagens…